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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Causas do mau hálito

O curioso em relação ao mau hálito é que os portadores não conseguem perceber o odor desagradável que exalam. São os outros que notam e ficam constrangidos em avisar – “Olha, teu hálito não está legal”. Às vezes, nem toda a intimidade do mundo justifica uma atitude como essa e o problema não é enfrentado como deveria.

     O cheiro está tão ligado às emoções que o hálito desagradável pode provocar repulsa e afastamento, muitas vezes, irreversível. Casais chegam a relevar desencontros, vencer diferenças de personalidade e das formas de enxergar a vida, podem até esquecer os maus passos dados por um deles, mas é muito difícil que consigam superar a inconveniência do mau hálito num dos parceiros.
Na grande maioria dos casos, o mau hálito, ou halitose, tem origem na própria língua, (imagem 1) um órgão muscular revestido por papilas. Essas papilas possuem terminações nervosas que, estimuladas por determinadas moléculas, conduzem informação ao cérebro a fim de reconhecer o gosto das coisas. Como se pode observar na imagem 2, na parte posterior da língua, sobram espaços entre as papilas e se formam pequenas criptas. Neles se acumulam alimentos e restos de células que descamam do epitélio lingual. Esses resíduos funcionam como meio de cultura para as bactérias que, quando fermentam, liberam substâncias ricas em enxofre, É a presença e o cheiro de enxofre que provocam o mau hálito.




CAUSAS DO MAU HÁLITO
Drauzio – A língua é a principal fonte do mau hálito?
Ronaldo P. Lima Barbosa – A literatura registra que de 90% a 95% das halitoses, ou mau hálito, são causadas no ambiente bucal, principalmente na língua, e cerca de 5% a 10% têm causas sistêmicas. A língua possui diversas papilas gustativas entre as quais se formam criptas, ou seja, saquinhos que retêm resíduos de alimentos, células epiteliais descamadas e placas bacterianas que começam a fermentar e a liberar odor de enxofre. Essa é, sem dúvida, a principal causa do mau hálito.
Drauzio – Por que muita gente associa o mau hálito ao fato de estar muito tempo sem se alimentar?
Ronaldo P. Lima Barbosa – Esse é um conceito equivocado. Acontece que o alimento retido na língua, depois de uma hora sem alimentação, período em que ocorre menor fluxo salivar, somado à falta de atrito da língua com o palato e com o bolo alimentar, produz maior fermentação e exala mais odor.
Quando a pessoa come, o bolo alimentar, mais o atrito da língua com o palato e o aumento da salivação ajudam a remover os resíduos existentes nas papilas gustativas e as bactérias responsáveis pela fermentação.
Drauzio – Isso explica a halitose matinal?
Ronaldo P. Lima Barbosa – Durante a noite, há menor produção de saliva e, portanto, maior fermentação e maior liberação de odores de enxofre. Por isso, o odor matinal é sempre mais forte do que outros tipos que ocorrem durante o dia.
O ESTÔMAGO NÃO TEM CULPA
Drauzio – Atribuir o mau hálito a problemas estomacais, como muitos fazem, está correto?
Ronaldo P. Lima Barbosa – Esse é outro conceito errado. Se analisarmos fisiologicamente o problema, veremos que existem esfíncteres gastrintestinais que não permitem a passagem dos odores estomacais para o meio externo. Esfíncteres são válvulas que se fecham depois da passagem dos alimentos. Normalmente, o mau hálito pode ser atribuído ao estômago apenas em duas situações básicas: eructação gástrica, ou arroto, e refluxo gastroesofágico, quando há uma deficiência no funcionamento da válvula que separa o esôfago do estômago.
Ronaldo P. Lima Barbosa – Existe um estudo realizado na Universidade de Toronto, no Canadá, bastante interessante. Os pesquisadores embrulharam nos pés dos pacientes uma pasta com alho que era absorvido pela pele, caía na corrente sanguínea e, algumas hora depois, seu odor era eliminado pela boca. Com isso, eles estavam tentando provar que não vem do estômago o cheiro do alho que a pessoa come, mas vem dos pulmões pelas vias aéreas. A conclusão a que chegaram, portanto, foi que a halitose por ingestão de alimentos voláteis, como alho e cebola, não procede do estômago, mas sim dos pulmões. Após sua absorção, eles caem na corrente sanguínea, participam da troca gasosa nos bronquíolos pulmonares e seu cheiro característico é exalado pelas vias aéreas superiores.
Deve-se ainda considerar o fato de que os movimentos peristálticos do aparelho digestivo não favorecem o retorno dos odores estomacais.
Drauzio – Além dos problemas de boca, gengiva e alvéolos dentários, quais são os mais frequentemente associados ao mau hálito?
Ronaldo P. Lima Barbosa – Existem outras patologias que podem levar à halitose como as sinusopatias, problemas respiratórios e tonsilas (amídalas) inflamadas. A inflamação das amídalas, por exemplo, pode provocar maior formação de muco que, depositado na parte posterior da língua, produz mais saburra lingual e dispara o processo da halitose.
Uma das causas mais comuns, porém, associada à halitose é a diminuição do fluxo salivar, a xerostomia. Diversos fatores interferem na produção das glândulas salivares. Entre eles, destacam-se determinadas drogas e certos problemas respiratórios. Pacientes que respiram mais pela boca, não têm selamento labial adequado, o que provoca ressecamento da mucosa e favorece a halitose.
O fluxo salivar também pode ser alterado por falta de ingestão de água. É importante ingerir de dois a três litros de água por dia para evitar que a parte sólida da saliva torne-se mais espessa por falta de líquido e acumule-se no dorso posterior da língua, aumentando a ocorrência de halitose.

Um comentário:

Paulo Ferreira Junior disse...

Excelente post. Mau hálito é um assunto muito delicado de se tratar mesmo. Eu tive no passado e sei o quão constrangedor é.